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Boa parte das cenas desse romance se passa em Paris. Mas
nossos protagonistas, Jean Pierre e Jerôme, conduzem-nos também a
flanar pelas ruas de outras cidades. Nova York, Buenos Aires, La Paz e
Rio de Janeiro cruzam-se, como na construção de um mosaico, de um
espaço ideal, para um flâneur que evoca nitidamente a figura surgida
com Baudelaire no século XIX. Quais seriam os pontos em comum
de tais protagonistas com o flâneur baudelairiano?
Ainda temos, aqui, o homem hesitante entre o fascínio e temor
diante das ‘n’ cenas urbanas, encantado e intimidado com os personagens
misteriosos que aparecem e desaparecem sem deixar vestígios
no meio da multidão. Mas a flânerie se expandiu, em primeiro lugar,
pelo entrecruzamento das cidades, que se revelam simultaneamente
singulares e idênticas, com suas mortes e conspirações. O que aproxima
e distingue as cidades pelas quais Jean Pierre e Jerôme se
deslocam? Em meio à violência das urbes atuais, a multidão já não é
mais um refúgio para esse flâneur dos chamados tempos pós-modernos
e os impasses se multiplicam.


