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"Enfiou a chave na fechadura e empurrou a porta. O apartamento estava silencioso e escuro. Por alguns instantes permaneceu imóvel temendo dar um passo sequer. Visto antes como um local de refúgio, segurança, uma fortaleza onde ninguém poderia atacá-lo, Ruy Dantas essa noite tinha outras formas de encarar esse lugar. Sabia que ao entrar por aquela porta seria mais uma vez jogado aos braços da deusa solidão. Contra ela sentia-se muito mais fraco. Não havia armas para se defender e o jeito seria render-se como sempre. Fechou os olhos, sentiu uma lágrima quente escorrer e como se orasse ou tentasse visualizar a imagem de Deus, ele deu um passo, fechou a porta atrás de si e acendeu as luzes. Nada de estranho o surpreendeu. Contemplou como numa galeria de arte o silêncio caótico sem forma, sem surpresas, um silêncio que não acolhia e muito menos o confortava mas que só o oprimia. Foi até a cozinha, ligou a cafeteira e esperou até que um café ficasse pronto. Encheu uma caneca e voltou a sala para se jogar numa poltrona que, nessa noite, seria novamente sua fiel companhia"


